Era como se eu tivesse algo pra acertar com o passado e por mais que eu me doasse, ainda não era inteira. Foi passando tempo e eu percebi que tinha mesmo um buraco no passado e que não poderia ficar assim. Aí, eu corri atrás. Tentei, promovi um recomeço. Mas logo, mais uma vez, percebi que não era aquilo que, sei lá, o acaso tinha pra mim. Porque eu era honesta demais pra mentir pra mim mesma ou aceitar as mentiras de quem dizia que me amava. Doeu. Ainda dói muito, corta a carne, mesmo, a cada vez que eu fecho os olhos e penso que estive me relacionando com um animal irracional do sexo masculino que só escuta o instinto e dispensa o bom senso. Um cachorro, resumindo. Serviu. Serviu pra ter certeza, pra crescer e tentar te explicar o que me mantinha distante tantas vezes, o xis da questão que não me deixava me entragar totalmente. Faltava me acertar com o passado. Não falta mais. Sabe o buraco? Coloquei o passado sujo dentro e enterrei.
Queria te dizer que me arrependo por não ter aceitado tuas loucuras; por ter reprimido tuas vontades. Por ter batido a porta do teu carro com raiva naquela vez que você deciciu devolver minha frieza e meu distanciamento, só pra que eu tivesse uma noção de como eu era. Queria dizer que me arrependo por ter ouvido meus amigos que aconselharam esquecer nossa história e voltar pra desgraça que foi meu passado nojento. Por ter te machucado, mais uma vez, quando não entendi que aquele era seu jeito e que você me queria, mesmo assim. Queria te dizer que me arrependo por não ter te mostrado que os treze anos que separam nossas idades estão em minha alma, ainda que não estejam no corpo. Queria te dizer que me arrependo de tentar esquecer tuas mãos lindas, tuas unhas limpas brincando de me arranhar. Por tentar te esquecer e acreditar cegamente que tinha conseguido.
Eu só não me arrependo daquele dia que você deixou seu filho em casa doente só pra ir comigo em um show de uma banda que você nem conhecia e, quando eu ia saindo do carro, você puxou meu braço, me olhou concentrado, engoliu saliva e me disse: "Eu te amo". Sem saber o que dizer, indaguei: "Tem certeza?", você me respondeu: "Eu te amo muito". Eu só não me arrependo de ter te respondido: "Eu também".
Me emocionou, como eu já disse antes: uma enorme demonstração de carinho.
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Nossa, me emocionou bastante seu texto!! Parabéns!
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