quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

os vinte anos da minha vida fizeram sentido em um segundo (aquele em que te vi)
e agora ficam assim, vez ou outra voltando a fazer sentido por algumas horas (aquelas nas quais estou com você)

rosto teu, poema meu

Não fazes ideia
De quantos filmes já criei
Com as cenas
Que me passam
Teus olhos falantes
Tua boca muda

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

crua

enquanto os outros condenam
não entendem
não (se) permitem
lá vamos nós, sem nenhuma direção
esquecendo objetivos
ignorando objetos de desejo
abraçando o desejo
não calamos o corpo
nos calamos em beijos
dedos firmes em minha cintura, arranhando meus pulmões
toda essa falta de ar
lá vamos nós, toda essa ligação
seguindo os mapas da vontade
acelerando nessas curvas
não me importa me acidentar
não me importam todas essas pessoas
deixa. go with the flow, let it be
de olhos fechados não existem gêneros
não pergunta minha idade
só me segue
chegaremos ao destino mais honesto que existe em nós
e é tanta beleza que não cabe em minhas mãos
te seguro, corpo-inteiro
porque mesmo que haja sempre um lado que pesa
o lado que flutua nos domina
sobressai
eu saio de mim
voo,
me perco
sempre volto
(re) pouso
em você.

"E o que importa você sabe, menina. É o quão isso te faz sorrir. E só."
Caio disse, você escreveu na pele.
e não foi em vão.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

sobre encontros e coisas que têm que acontecer

numa conversa de chat do facebook, meu amigo de infância, depois da notícia que ele vai ser pai, me disse uma das coisas mais lindas que já li na vida.
apesar da espontaneidade do instante, é preciso anotar
pra nunca mais esquecer


  • Milton Petruczok
    há 28 minutosEnviado por bate-papo
    Milton Petrukzoc
    • e sobre ter que encontrar as pessoas que você tem que encontrar
    • é engraçado tu falar isso
    • porque isso (dentro do cenário que a gente se encontrou é um tema óbvio) já foi conversado milhões de vezes entre nós
    • sobre como isso foi poderosamente raro
    • e como milhões de fatos isolados convergiram
    • pra essa única realidade
    • em que a gente tá junto
    • então
    • é mais ou menos como a maravilha de estar vivo
    • como você pode ser indiferente ao o fato de estar vivo se uma quantidade astronômica e infinita de variáveis oscilaram entre muitas possibilidades, a absurda maioria resultando num universo sem você, mas mesmo assim, você está aqui?
-

Eu não sei, filho. Só sei que meu sobrinho vai ter um pai do caralho.





sexta-feira, 12 de agosto de 2011

falante

é como fico quando não tenho nada de muito relevante a dizer.

em silêncio

é como fico quando a cabeça fala demais.

casinha

o meu amor é uma casinha com vista pro mar, esperando um bom iquilino.
meu coração é um imóvel (ninguém mais tira do lugar).

leve

é como eu me sinto quando carrego nosso amor nas costas.
(pecados são impostos- mas a gente paga porque quer. feliz é quem consegue perceber isso).

sou feliz pra cacete, obrigada.

palpitação

essa coisa que a gente sente quando o coração quer dar palpite.
e quando mais se tenta calar, mais se escuta.

sábado, 22 de janeiro de 2011

uma mentira contada mil vezes se torna verdade

Eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem (...)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Dois Carnavais

foi o que passamos juntos
e nunca- nada- mais.

Sobre o que nos afastou de nós

Era como se eu tivesse algo pra acertar com o passado e por mais que eu me doasse, ainda não era inteira. Foi passando tempo e eu percebi que tinha mesmo um buraco no passado e que não poderia ficar assim. Aí, eu corri atrás. Tentei, promovi um recomeço. Mas logo, mais uma vez, percebi que não era aquilo que, sei lá, o acaso tinha pra mim. Porque eu era honesta demais pra mentir pra mim mesma ou aceitar as mentiras de quem dizia que me amava. Doeu. Ainda dói muito, corta a carne, mesmo, a cada vez que eu fecho os olhos e penso que estive me relacionando com um animal irracional do sexo masculino que só escuta o instinto e dispensa o bom senso. Um cachorro, resumindo. Serviu. Serviu pra ter certeza, pra crescer e tentar te explicar o que me mantinha distante tantas vezes, o xis da questão que não me deixava me entragar totalmente. Faltava me acertar com o passado. Não falta mais. Sabe o buraco? Coloquei o passado sujo dentro e enterrei.

Queria te dizer que me arrependo por não ter aceitado tuas loucuras; por ter reprimido tuas vontades. Por ter batido a porta do teu carro com raiva naquela vez que você deciciu devolver minha frieza e meu distanciamento, só pra que eu tivesse uma noção de como eu era. Queria dizer que me arrependo por ter ouvido meus amigos que aconselharam esquecer nossa história e voltar pra desgraça que foi meu passado nojento. Por ter te machucado, mais uma vez, quando não entendi que aquele era seu jeito e que você me queria, mesmo assim. Queria te dizer que me arrependo por não ter te mostrado que os treze anos que separam nossas idades estão em minha alma, ainda que não estejam no corpo. Queria te dizer que me arrependo de tentar esquecer tuas mãos lindas, tuas unhas limpas brincando de me arranhar. Por tentar te esquecer e acreditar cegamente que tinha conseguido.

Eu só não me arrependo daquele dia que você deixou seu filho em casa doente só pra ir comigo em um show de uma banda que você nem conhecia e, quando eu ia saindo do carro, você puxou meu braço, me olhou concentrado, engoliu saliva e me disse: "Eu te amo". Sem saber o que dizer, indaguei: "Tem certeza?", você me respondeu: "Eu te amo muito". Eu só não me arrependo de ter te respondido: "Eu também".

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

pedra no lugar de coração

Agora é comigo. Eu não choro mais de madrugada; não me chamo mais de tonta em frente ao espelho; não borro mais com a mão o meu batom vermelho. Não puxo os meus cabelos. Não brigo mais. Nada de gritos e palavrões. Nada de portas batidas rachando as paredes aos poucos. Nada de perseguições. A partir de hoje, não acredito mais em bonecos de noivos em cima de bolo cheio de creme. Em fatia cortada de baixo pra cima. Em goles de bebida em copos cruzados. Não me derreto mais com flores no meio do dia. Não acredito mais em frases quase dentro da orelha. Em lambidas no pescoço. Em telefonemas. Não me impressiono mais com laços grandes em caixa de presente. Não sou mais a boazinha, a paciente. A partir de hoje, pedra no lugar do coração. Nada de sofrimento, dor, envolvimento. A partir de hoje, abandono de vez o papel de santa. Serei puta. A partir de hoje, mais nada.
(Eduardo Baszczyn)

peguei aqui.

do verbo acabar

eu acabei
nós acabamos

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Lembrei

Você disse que queria um ♥ novo, assim, bem assim: ♥.
Achei que falasse do amor. Um feliz amor novo- e já concluí que o meu não era novidade, eu não tinha mais nada pra te oferecer, sendo desse jeito.
Mas você me disse que queria um coração, de fato, não necessariamente um amor.
"Oxe, que viagem da porra. Faz um transplante, então!", disse.
Sorrimos.

Faz um transplante, então. Quem sabe esse novo coração me caiba- pensei.
Mas acabei dizendo. Merda! E fui embora, correndo, com medo da sua resposta.