quinta-feira, 29 de julho de 2010

Bailarina

Eu quero- e preciso- te tirar para dançar
Em tua mão, segurar
Em teu corpo, encostar
A música vai ter que nos acompanhar
Mas, eu sei, o silêncio chegará
E quando a melodia da festa parar
Tu, de mim, não vais te afastar
Porque nós somos música e, dentro de nós, ela continuará
Fiques perto, eu estarei esperto
E não te darei motivos para querer escapar
Eu te apelo: não queiras voar
Teu colo, menina, é o meu lar
E se um dia, porventura, eu me cansar de dançar
É em teu colo-meu-lar que irei descansar
Pois foi a ti, bailarina, que eu escolhi para amar
E minha eternidade é só o começo do que eu tenho para te dar

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sonho

Cobras, muitas. De todos os tamanhos, cores, espécies. Apareciam na cozinha, surgiam do nada, e andavam a casa toda. Umas subindo pelo sofá. Outras em cima da mesa. A sala já estava completamente dominada por elas, algumas enormes, nem andavam. As pequenas estavam num eterno vai-e-vem apavorante, agoniador.
Quando dei por mim, estava inteira coberta por elas. Me desesperei. Gritei. Chorei. E quanto mais o fazia, mais delas estavam em mim.
Cheguei à sala e meu pai estava jogando vídeo game. Jogando vídeo game cercado por cobras. E ele, concentrado no jogo, nem as percebia. Desesperadamente assustada, disse: "Pai, tu não vais fazer nada? Liga pra alguém! Liga pros bombeiros! Faz alguma coisa!".
Calmamente e um tanto quanto incomodado por ter que pausar o jogo, me olhou e me disse: "Não sei pra quê esse desespero. Tanta gente tem cobras de estimação".
Insisti, enquanto tentava tirar as serpentes que insistiam em não sair de mim: "Mas, pai, tu estás falando isso só porque não tem nenhuma serpente andando em cima de ti!".
Nessa hora, ele me mostrou: "Olha aqui, uma tentando subir, perto do meu pescoço".
Eu vi e, mais uma vez, disse: "Sim, e tu não vais fazer nada?"
Então, meu pai me disse uma das coisas mais importantes da minha vida: "Se concentre em outra coisa mais importante! Você vai entrar no jogo delas? Vai deixar que elas, tão inofensivas, te assustem? Você vai se desesperar por uma coisa que não merece? As cobras sempre irão existir. Ignore-as. Porque o que elas mais querem é que você as ataque, pra que elas possam te atacar de volta".

E você está se perguntando por que esse texto se chama "Sonho" e não "Pesadelo". É exatamente isso. Foi um sonho, mesmo. Me ensinou uma grande coisa. Me acrescentou. E muita coisa aparentemente assustadora nos acrescenta e nós nem percebemos. Tantas vezes a gente esquece de pensar depois. Depois que o sofrimento passou. Depois que o medo foi embora. E, por isso, continuamos, ainda, tendo medo das outras "cobras" que ainda estão por vir.
Eu te digo, depois da agonia, faça um balanço.
A melhor coisa que eu poderia desejar aos meus, é exatamente isso: Saibam interpretar recados. Procurem as entrelinhas dos sonhos.
Às vezes Deus fala conosco e a gente nem percebe.

Bons sonhos para vocês.
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Ah, e por aqui é isso mesmo, texto sem edição. Escrevedora descalça.
Tô em casa, de novo.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Laço

Na falta, me encontro desespero
Na presença, reintegro
Recomeço
Me refaço
Porque com você de volta
Viver fica bem mais fácil
Mas você vai embora de novo
Despedaço
Me entrego
Dou um laço
E você desata
Viro fita no infinito
Esperando que alguém se apiede
E me pegue
Pra fazer outro laço
Mais bonito, de duas voltas
E arremate o presente
Que se torna a vida de quem me acha
Me transforma
Me salva
Refaz o laço que você desfez
Põe meu laço na cabeça
Meu amor dentro do peito
E se enfeita de mim.