domingo, 19 de dezembro de 2010

O mundo acaba hoje e eu estarei dançando


Com você











"Vem! Vamos além!"


mesmo que a gente se afaste por uns tempos, brigue, se enjoe um do outro, na maior parte do tempo estamos assim, exatamente assim, feito essa foto.
A gente sempre volta. Porque você sou eu e eu sou você.
É coisa de melhor amigo; de outro mundo.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Wish you where here

Desde que a gente se perdeu, eu venho tentando me achar em outros amores. Invento histórias. Tento amar outros caras; outros lugares. Essa foi o caminho que eu encontrei pra escapar do caminho que eu percorria, sem perceber e, quando via, era perto de você que eu estava.
Outras aflições; olhos azuis; barbas ruivas: tudo inventado aqui, na minha cabecinha confusa. Inventava outras saudades; outras vontades; outras bocas eu queria beijar. Tudo pra desviar o foco. Tudo pra evitar que a noite chegasse, me trazendo o pensamento: "Meu Deus, será que eu tô cega? Tô louca? Será que minha felicidade tá ali e eu tô anestesiada?". Porque desde que a gente se perdeu, eu venho procurando essa tal de vida feliz e só faço besteira. Magoei algumas pessoas, agi por impulso, não agi de verdade. Me faltou o respeito que eu só dedicava a você, quem sabe se eu tivesse levado as coisas mais a sério tinha realmente te esquecido logo e vivido esses outros amores.
Acontece que depois de depositar minhas fichas nesses possíveis novos romances e perder todas as apostas, venho vivendo sofrimentos inverossímeis, que não duram mais que uma semana. Acho que só vou me lamentar, de verdade, quando te perder. As outras perdas, tanto faz.
É de você que eu tenho ciúmes, é por você que eu rezo. É você que está em mim, é por você que eu torço pra que fique.
Fica faltando algo pra me fazer voltar, sabe? Às vezes, por um triz, estou quase te ligando e te dizendo pra esquecer esse tempo que passamos longe e fingir que foi só um sonho ruim e nada aconteceu. Mas tenho medo dessa vontade ser passageira; de ser meu cérebro, mais uma vez, querendo conforto. Tenho medo de te machucar de novo e isso seria me ferir mortalmente porque você não merece.
Quando te ligo, quero sondar se te perdi de vez e ultimamente venho percebendo que sim, tá foda. Seguro o choro, desligo o telefone e solto-o.
Essas histórias bonitas que eu inventei pra fingir que queria alguém que não fosse você, não passam de histórias porque é você e sempre será você.
Porque dia desses eu precisei de uma foto 3 x 4 e lembrei que o único lugar que podia conter, era na sua carteira.

sábado, 30 de outubro de 2010

30 de outubro

Mais uma vez: fim de festa. No lugar onde a gente se encontrou. No mesmo horário. A única diferença era o tanto de carinho que tinha dessa vez. A curiosidade de ver onde você tá, com quem tá. O que porra a gente tem? Eu. Você. Mesmo lugar. A noite inteira. Distantes. Minha alma corria doida e cega pra cima de você enquanto na barba de outro eu te procurava, meu corpo insistia em ficar ali, longe. Em não te buscar. Em não me pronunciar; em não dizer que eu só tava ali porque sabia, bem lá no fundo, que você ia. Em não segurar firme na tua nunca, puxar teu cabelo, passar meu rosto na tua barba ruiva, ir aos pouquinhos no teu ouvido e dizer, de novo: eu te amo pra caralho.

No fim da festa, de repente, você me abraça e fica ali pelo tempo que eu nem sei. Pelo porquê que eu desisti de achar. E, numa das conversas mais intensas que já tivemos, te dizer tudo o que eu penso enquanto você me olha e não diz nada. Mas me olha de um jeito tão foda que explica tua mudez e torna inútil minhas mil palavras sem sentido. Meu discurso furado que você sempre interrompe com um beijo. Nosso amor é silêncio, eu já entendi. Se mostra na ausência, ao invés de correr. É quietinho e quente. Por semanas que a gente não se fale e eu morra inutilmente pra depois te ver e perceber que não mudou nada. Eu já entendi, mesmo não entendendo. E te aceito mais do que eu mesma possa aceitar e do que você possa saber.

Me desmancho a cada vez que percebo teus trinta e dois anos voltando à adolescência quando você demonstra insegurança, medo de me perder, vontade de saber se eu te gosto, medo de acreditar.

Fica sem sentido, mesmo. Falar de você é mais difícil do que eu imaginava. Primeira e última vez que o faço. Deixa quieto. "Deixa o tempo, deixa rolar"... aprendi com você.

Por você eu tenho aceitado a vida como ela é.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Tomara

-- Meus pais são casados até hoje

os meus também

-- Tenho como exemplo

eu nasci pra ser de um só, disso tenho certeza

-- Minha!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Né foda?

Sempre que vai chegando a hora de você "aparecer", minhas mãos ficam geladas.
Imagina como eu fico quando você não aparece.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Caps lock

Eu sei que é mentira, mas continuo acreditando.

Mantra: "SÓ MAIS UMA, TRATE-O COMO SÓ MAIS UM"

Em caps lock, pra gritar no meu coração.

sábado, 28 de agosto de 2010

Nossa música

Porque hoje eu acordei e descobri que você é, sim, um sonho.
Mas daqueles que a gente sonha várias vezes e nem entende o por quê.

"
O que não dá pra evitar
E não se pode escolher
"


sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O dia em que esse moço veio parar aqui dentro

Você se perdeu e, eu, mais perdida ainda, tentei te guiar. Consegui. Você me achou, chegou em meu endereço e meu coração já era teu só pela ansiedade que me causava. Esqueci de te dizer que enquanto você não chegava, o porteiro me olhou me comendo. Me estranhando. Ainda bem que você chegou logo. Entrei no teu carro. Pensei em entrar em você. "Oi, meu bem, linda como sempre". Teus olhos azuis estavam escuros por conta da pouca luz- mais tarde, no dia seguinte, eu iria descobrir que eles na verdade eram um azul que contornava o verde.

Conversamos amenidades enquanto você dirigia atento. Combinamos de ligar para a amiga em comum para desejar feliz aniversário. E chegamos em sua casa. Seu cachorro fez uma festa como se já me conhecesse. Engraçado, isso. Dizem que cachorros sentem mais que humanos. Tomara que seja verdade.

"Então, tem vários filmes pra a gente assistir. Já assistisse 'Proibido Proibir'?". Não, põe ai.

Mal começou o filme e, sem perceber, eu já estava em teus braços. Me afogando na tua saliva. Te aproveitando com a urgência dos sem-futuro. Uma situação surreal. Perguntei se era você mesmo enquanto me distribuia em tuas costas. Você me olhou estranho e perguntou por quê. Te contei que somos diferentes demais para estarmos tão próximos e que nunca imaginei estar ali. "Eu, já", tímido, você me disse.

Começou a tocar 3x4 e eu discuti internamente com Humberto Gessinger por ele estar narrando meu desejo. Como se estivesse ouvindo meu pensamento, você cantou, justamente, a parte que eu mais queria ouvir de você: "e eu perdi as chaves, mas que cabeça a minha!". Se aproximou do meu ouvido e, como num segredo de liquidificador, continuou o verso: "Agora vai ter que ser para toda vida". Disse baixinho. Querendo calar a vontade e matar nossa vontade de viver.

Depois disso, não me importava mais quem eu era. Nem meus princípios. Me importava você. Me importava a circunstância. Nossos corpos conversaram por instinto, já não havia mais distinção de quem era quem.

Curioso, você estudava meu corpo e teus dedos conversavam lentamente com o fecho do meu sutiã. Eu só queria me perder em você; me perder de mim. Eu só queria ser menos babaca e acreditar menos nas pessoas.

"Dorme aqui comigo, por favor". Acreditei na sua carinha de cachorro pidão. Liguei pra casa e inventei mil desculpas. Falei do trânsito, do escuro, da violência, de tudo. Não falei de você. Porque dentro de mim, eu queria negar sua existência. Porque dentro de mim, agora, tudo arde. Qualquer coisa sem sentido. Nosso escândalo. Nosso não-amor.

"Tu estás tão linda". Ok, senhor gentileza! Teu sorriso cabia dentro do meu e você inteiro cabia dentro de mim. Enquanto eu tentava fugir, você me aninhava nos teus braços, me buscava, me tinha.

É dessa coisa toda sem sentindo e intensa que é feito tudo o que dói agora. No outro dia, acordei com você me dando um beijinho de bom dia, um abraço e um chamego e me dizendo que eu tava linda de cara amassada. Acreditei e nem imaginei como estaria minha cara.
"O mundo inteiro acordar e a gente dormir", sem pressa, do jeito que tem que ser, você me trouxe pra casa. "Pra não morrer de saudades, fica por aqui hoje que eu queria estar contigo de novo", disse. Ficou me olhando até eu entrar no elevador e sumir.

E hoje foi só mais uma sexta-feira. Mais um sexta-feira em que eu acordei ao lado de um dos homens mais lindos que conheci na vida. Mais uma sexta-feira em que tratei como prioridade que me trata nem sequer como opção.

Mas sou assim: hoje eu vou te procurar na cama, vou te amar para caralho, vou molhar o cobertor com minhas lágrimas doces lembrando do que foi vivido. Amanhã, eu te esqueço.
Você foi um sonho, e agora eu preciso acordar.

"Se o acaso nos uniu, deixa que o tempo cuide do resto"

*e esse texto é que nem nosso caso: sem edição, no impulso de esvaziar o calor daqui de dentro e tornar o mundo quente lá fora.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Machismo

Se eu fosse homem, seria o "bonitão-fodão-exemplo-para-outros-bonitões-fodões".
Mas, como eu sou mulher, me restou "ser puta" mesmo.
Então tá, né?

terça-feira, 3 de agosto de 2010

É pra você mesmo que eu estou falando

No começo era mistério. Aquela coisa de "não conheço, mas sei que já vi". O problema é que as coisas desse mundo me empurravam pra você. Sabe Clarice? Sabe a discografia de Los Hermanos que nunca saiu dos planos? Um encanto num sorriso que me chamou a atenção. Eu pensei: "viajo em você". Aí, você me disse isso. Todas as coisas do mundo me empurravam tanto pra você, que eu praticamente caí em cima de ti. Acho que de imediato, o impacto foi tão forte, que meu coração não entendeu a mensagem. Porque você é do tipo de pessoa que a gente precisa pra vida toda e seria arriscado demais continuar caída em cima de você e não levantar pra ver as tantas outras coisas mais bonitas que você tinha à me mostrar. Talvez eu te sufocasse, por isso, eu precisei levantar pra você não ir embora. Será que você consegue, agora, me entender?
Mas foi só eu sair de cima de você pra que uma série de desencontros marcasse nosso encontro. Que engraçado. Vida escrota que faz a gente andar e andar, mudar e mudar e descobrir que nosso lugar é o mesmo de onde partimos: o início. O que está no passado e ainda importa para o presente- e vai se fazer essencial no futuro- nunca morre: fica congelado até que a gente perceba que não há falso-presente que apague o nosso passado só porque a gente quer. Há, sim, passado-futuro, que está congelado esperando nosso calor pra descongelar e renascer. Então, nos revivemos.
Depois disso, milhões de coincidências marcam nosso destino. O que é mais cômico: já não basta esse amor de tanto que eu sinto tão presente em mim. A vida acha pouco e faz questão de ficar jogando lembranças e coisas que remetem, de fato, a você. Só por garantia de que a gente não vai se afastar.
Porque no fim das contas, nós somos muito diferentes da maioria das pessoas ao nosso redor. E, quando merecemos, o "acaso" nos envia presentes: pessoas iguais a nós, pra que nunca nos sintamos sozinhos.
É que quando você me sorri, eu me abro em flor. Um chá da tarde não é só um chá da tarde. Você sabe: Maria foi embora dos nossos escapulários, porque, no nosso caso, "só Jesus mesmo" (mas que boa piada!). E então eu te canto: "Give me a reason to love you" e você me dá mais de mil motivos pra te amar.
E você vai entender. Tô escrevendo esse texto só por garantia- imitando a vida. Pra que você nunca esqueça que eu vou estar sempre aqui, admirando sua camisa xadrez, sua timidez, seu "enjoamento", seu sorriso, seu afeto, sua doce forma de me guiar.
E todo esse arrodeio foi só pra te dizer que eu te amo, cabeção.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Bailarina

Eu quero- e preciso- te tirar para dançar
Em tua mão, segurar
Em teu corpo, encostar
A música vai ter que nos acompanhar
Mas, eu sei, o silêncio chegará
E quando a melodia da festa parar
Tu, de mim, não vais te afastar
Porque nós somos música e, dentro de nós, ela continuará
Fiques perto, eu estarei esperto
E não te darei motivos para querer escapar
Eu te apelo: não queiras voar
Teu colo, menina, é o meu lar
E se um dia, porventura, eu me cansar de dançar
É em teu colo-meu-lar que irei descansar
Pois foi a ti, bailarina, que eu escolhi para amar
E minha eternidade é só o começo do que eu tenho para te dar

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sonho

Cobras, muitas. De todos os tamanhos, cores, espécies. Apareciam na cozinha, surgiam do nada, e andavam a casa toda. Umas subindo pelo sofá. Outras em cima da mesa. A sala já estava completamente dominada por elas, algumas enormes, nem andavam. As pequenas estavam num eterno vai-e-vem apavorante, agoniador.
Quando dei por mim, estava inteira coberta por elas. Me desesperei. Gritei. Chorei. E quanto mais o fazia, mais delas estavam em mim.
Cheguei à sala e meu pai estava jogando vídeo game. Jogando vídeo game cercado por cobras. E ele, concentrado no jogo, nem as percebia. Desesperadamente assustada, disse: "Pai, tu não vais fazer nada? Liga pra alguém! Liga pros bombeiros! Faz alguma coisa!".
Calmamente e um tanto quanto incomodado por ter que pausar o jogo, me olhou e me disse: "Não sei pra quê esse desespero. Tanta gente tem cobras de estimação".
Insisti, enquanto tentava tirar as serpentes que insistiam em não sair de mim: "Mas, pai, tu estás falando isso só porque não tem nenhuma serpente andando em cima de ti!".
Nessa hora, ele me mostrou: "Olha aqui, uma tentando subir, perto do meu pescoço".
Eu vi e, mais uma vez, disse: "Sim, e tu não vais fazer nada?"
Então, meu pai me disse uma das coisas mais importantes da minha vida: "Se concentre em outra coisa mais importante! Você vai entrar no jogo delas? Vai deixar que elas, tão inofensivas, te assustem? Você vai se desesperar por uma coisa que não merece? As cobras sempre irão existir. Ignore-as. Porque o que elas mais querem é que você as ataque, pra que elas possam te atacar de volta".

E você está se perguntando por que esse texto se chama "Sonho" e não "Pesadelo". É exatamente isso. Foi um sonho, mesmo. Me ensinou uma grande coisa. Me acrescentou. E muita coisa aparentemente assustadora nos acrescenta e nós nem percebemos. Tantas vezes a gente esquece de pensar depois. Depois que o sofrimento passou. Depois que o medo foi embora. E, por isso, continuamos, ainda, tendo medo das outras "cobras" que ainda estão por vir.
Eu te digo, depois da agonia, faça um balanço.
A melhor coisa que eu poderia desejar aos meus, é exatamente isso: Saibam interpretar recados. Procurem as entrelinhas dos sonhos.
Às vezes Deus fala conosco e a gente nem percebe.

Bons sonhos para vocês.
-

Ah, e por aqui é isso mesmo, texto sem edição. Escrevedora descalça.
Tô em casa, de novo.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Laço

Na falta, me encontro desespero
Na presença, reintegro
Recomeço
Me refaço
Porque com você de volta
Viver fica bem mais fácil
Mas você vai embora de novo
Despedaço
Me entrego
Dou um laço
E você desata
Viro fita no infinito
Esperando que alguém se apiede
E me pegue
Pra fazer outro laço
Mais bonito, de duas voltas
E arremate o presente
Que se torna a vida de quem me acha
Me transforma
Me salva
Refaz o laço que você desfez
Põe meu laço na cabeça
Meu amor dentro do peito
E se enfeita de mim.