sábado, 30 de outubro de 2010

30 de outubro

Mais uma vez: fim de festa. No lugar onde a gente se encontrou. No mesmo horário. A única diferença era o tanto de carinho que tinha dessa vez. A curiosidade de ver onde você tá, com quem tá. O que porra a gente tem? Eu. Você. Mesmo lugar. A noite inteira. Distantes. Minha alma corria doida e cega pra cima de você enquanto na barba de outro eu te procurava, meu corpo insistia em ficar ali, longe. Em não te buscar. Em não me pronunciar; em não dizer que eu só tava ali porque sabia, bem lá no fundo, que você ia. Em não segurar firme na tua nunca, puxar teu cabelo, passar meu rosto na tua barba ruiva, ir aos pouquinhos no teu ouvido e dizer, de novo: eu te amo pra caralho.

No fim da festa, de repente, você me abraça e fica ali pelo tempo que eu nem sei. Pelo porquê que eu desisti de achar. E, numa das conversas mais intensas que já tivemos, te dizer tudo o que eu penso enquanto você me olha e não diz nada. Mas me olha de um jeito tão foda que explica tua mudez e torna inútil minhas mil palavras sem sentido. Meu discurso furado que você sempre interrompe com um beijo. Nosso amor é silêncio, eu já entendi. Se mostra na ausência, ao invés de correr. É quietinho e quente. Por semanas que a gente não se fale e eu morra inutilmente pra depois te ver e perceber que não mudou nada. Eu já entendi, mesmo não entendendo. E te aceito mais do que eu mesma possa aceitar e do que você possa saber.

Me desmancho a cada vez que percebo teus trinta e dois anos voltando à adolescência quando você demonstra insegurança, medo de me perder, vontade de saber se eu te gosto, medo de acreditar.

Fica sem sentido, mesmo. Falar de você é mais difícil do que eu imaginava. Primeira e última vez que o faço. Deixa quieto. "Deixa o tempo, deixa rolar"... aprendi com você.

Por você eu tenho aceitado a vida como ela é.

Um comentário:

  1. E nós aprendemos cada coisa nessa vida, boa.

    Beijos. E,
    Ah... Saudade vai.

    =***

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